POR UMA PSICOLOGIA SOCIAL LATINO-AMERICANA
Maria A. Banchs (1994)
Resumo:
A ausência física de Martín-Baró deixa um vazio significativo entre os psicólogos sociais latino-americanos. No entanto, sua obra e
seu pensamento continuam a orientar muitos profissionais para uma Psicologia consciente e libertadora.
O autor identifica cinco princípios fundamentais na teoria de Martín-Baró:
1. Assumir uma posição crítica na prática profissional.
2. Aproveitar conhecimentos de diversas perspectivas epistemológicas da Psicologia Social.
3. Opte por uma abordagem multidisciplinar.
4. Ver o ser humano como construtor da realidade.
5. Adote a perspectiva das maiorias oprimidas.
Embora este seja o primeiro Congresso Interamericano de Psicologia sem a presença de Martín-Baró, suas lições continuam a
influenciar nossa prática, guiando-nos e apontando-nos para o norte de nossa atividade.
1. A crítica como elemento articulador da práxis profissional
Em Ignacio Martín-Baró encontramos um excelente exemplo de uma constante leitura crítica da realidade, do conhecimento e da
prática profissional. Em seus textos "Ação e Ideologia" (1983) e "Sistema, Grupo e Poder" (1989), Martín-Baró apresenta diferentes
teorias, analisa-as criticamente e sugere o que resgatar de cada uma e como redimensioná-las. Essa abordagem é aplicada a
questões como socialização, percepção, atitudes, cooperação, solidariedade, violência, agressão social, poder e grupos.
Seguimos Martín-Baró não apenas para aprender a elaborar teorias, mas também para analisar, desfazer e refazer conhecimentos,
relacionando-os com a realidade. Embora tenha feito contribuições teóricas originais, sua maior força está em usar o conhecimento
existente para interpretar nossa realidade e orientar nossa ação, sempre com o objetivo de alcançar maior justiça social e apoiar
as maiorias oprimidas.
Martín-Baró criticou a Psicologia Social convencional por ser a-histórica e associal, reduzindo os fenômenos sociais a processos
psicológicos individuais e culpando os indivíduos por problemas sistêmicos. Sua crítica não era apenas conceitual, mas uma postura
de vida e ação profissional. Convida-nos a um engajamento crítico, reconhecendo que as ciências sociais não são neutras e que
sempre tomamos partido por determinados valores.
Sua abordagem crítica reflete a teoria crítica da Escola de Frankfurt, com ênfase na autorreflexividade, historicidade e senso moral
dentro de um projeto emancipatório. Embora Martín-Baró não tenha aderido a uma escola específica, sua postura epistemológica
se encaixa perfeitamente nessa definição de teoria crítica, voltada para descobrir contradições na sociedade capitalista e promover
uma sociedade sem exploração.
2. O uso de todo tipo de conhecimento produzido pela psicologia social
Em sua adesão aos princípios da teoria crítica, poderíamos dizer que Martín-Baró é frankfurtiano. No entanto, seria errado
classificar sua produção intelectual e práxis profissional dentro dessa escola. Martín-Baró escapa a qualquer classificação teórica
estrita, uma vez que sua obra abrange uma ampla gama de perspectivas, incluindo behaviorista, psicanalista, cognitivista,
interacionista simbólica e marxista.
Martín-Baró critica o positivismo e a neutralidade ideológica da ciência, mas não rejeita o conhecimento produzido a partir dessas
abordagens. Ele usa métodos quantitativos, como em seus estudos sobre a opinião pública salvadorenha, ao mesmo tempo em
que critica e redimensiona esse conhecimento.
Duas grandes escolas parecem influenciar sua visão teórica: o marxismo e o interacionismo simbólico. Do marxismo, adota
conceitos como alienação, consciência de classe, estrutura social e ideologia. Ele define a desideologização como o
desmascaramento de ideologias antipopulares que justificam sistemas opressores. Do interacionismo simbólico, ele toma a ideia
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Feito por MatyBuda